A modalidade apresentou medalhas paralímpicas em todos os jogos que participou até o momento!
A CBCa continua desenvolvendo ações para o fomento e desenvolvimento da modalidade, agora com foco em ampliar a participação de atletas jovens (até 23 anos) e mulheres.
Esperamos, com isso, manter os bons resultados para os Jogos de Los Angeles 2028.
HISTÓRIA
A Paracanoagem está inserida dentro das modalidades da Confederação Brasileira de Canoagem e é realizada por pessoas com deficiência.
A modalidade realizada em alto rendimento e reconhecida pela CBCa é disputada em águas calmas, já tendo sido disputada em distâncias de 500m e 200m, porém hoje somente se disputam os 200m, por pessoas com deficiência física. As provas podem ser abertas a outros tipos de deficiências, porém como forma de exibição. As provas que contenham deficientes físicos dentro de outras modalidades da CBCa são tratadas como canoagem adaptada e qualquer especificidade desta modalidade poderá ser ajustada apenas pelo Comitê responsável.
Dentro do contexto histórico, a modalidade apresentou significativa evolução em termos físicos, técnicos e estruturais. Esta evolução pode ter relação com o fato que dentro do caiaque existe uma igualdade de condições de possibilidades, liberdade para locomoção, sendo que o desempenho técnico e físico depende exclusivamente da própria pessoa. Logo, podemos dizer que dentro de um caiaque as deficiências não aparecem ou são reduzidas.
O praticante pode usar adaptações que auxiliem a sua prática, tanto para melhorar sua segurança quanto para melhora técnica de acordo com sua funcionalidade, não podendo haver adaptações que influenciem diretamente na velocidade da embarcação.
A Paracanoagem pode servir para lazer, recreação e/ou competição. Observando-se alguns aspectos de segurança e tendo um conhecimento das especificidades da deficiência e as adaptações necessárias todo clube, associação ou escola de canoagem pode atender a este público.
O trabalho realizado na iniciação da canoagem para pessoas com deficiência tem como um dos principais objetivos contribuir para que o indivíduo alcance a maior autonomia possível durante a prática desse esporte. Assim, com a criação de hábitos e costumes adquiridos na aprendizagem, busca-se que a pessoa, de forma independente, entre e saia do caiaque, realize seu treino na água, com a menor ajuda possível de terceiros.
Concomitante a esta autonomia, observa-se a possibilidade do acesso das pessoas com deficiência à prática desportiva, despertando o gosto pelo esporte.
Neste contexto, a Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), criou em 26 de março de 1995, conforme a ata n.º 14, o Comitê Nacional de “Paracanoagem”.
Anos após esta criação, em outubro de 1999, tivemos um marco na história da, ainda chamada, Canoagem Adaptada. A Associação Ecológica de Canoagem e Vela de Belém participou do XV Campeonato Brasileiro de Canoagem, e neste campeonato, o então técnico e Professor Evaldo Malato e Professor Carlos Alberto Gonçalves, trouxeram uma equipe de pessoas com deficiência, acontecendo assim a primeira participação de uma equipe de pessoas com deficiência na canoagem.
Em maio de 2000, na Represa São Miguel, Caxias do Sul (RS) a Paracanoagem tornou-se efetivamente organizada, com atendimento específico. O professor Getúlio Vazatta, então presidente do Centro Integrado do Portador de Deficiência Física (CIDeF), teve a idéia de formar uma equipe de Paracanoagem aproveitando os atletas que participavam dos treinos de basquete em cadeira de rodas.
Da então reduzida, mas consolidada participação de atletas de Paracanoagem em eventos de Canoagem Velocidade em âmbito nacional, surgiram as primeiras participações em evento internacionais. E em 2009, Sebastião Abreu conquistou a primeira medalha da modalidade em Campeonato Mundial.
No ano seguinte, histórico para a modalidade, novos atletas surgiram, participando do Campeonato Mundial: Carlos Roberto Tavares (Bebeto), Fernando Fernandes, José Agmarino, José Fernando e Marta Ferreira. Neste evento na Polônia, o Brasil conquistou as duas primeiras medalhas de ouro, com Fernando Fernandes de Padua e Marta Santos Ferreira.
Já no dia 11/12/2010, a Paracanoagem teve a mais importante notícia em sua, até então, breve e recente história. Em reunião do Comitê Paralímpico, na China, sete modalidades disputavam o direito de fazer parte das Paralimpiadas a partir dos Jogos do Rio 2016: badminton, canoagem, golf, futebol em cadeira de rodas motoriza, taekwondo, triatlo e basquete para pessoas com deficiência intelectual. Destas, somente o triatlo e a canoagem conseguiram a tão esperada participação.
A Paracanoagem juntou-se a outras 21 modalidade nos Jogos Paralímpicos Rio-2016: triatlo, tiro com arco, atletismo, bocha, ciclismo, hipismo, futebol de 5, futebol de 7, goalball, judô, halterofilismo, remo, vela, tiro esportivo, natação, tênis de mesa, vôlei sentado, basquete em cadeira de rodas, esgrima em cadeira de rodas, rúgbi em cadeira de rodas e tênis em cadeira de rodas.
Desde então o Brasil vem participando de todos os Campeonatos Mundiais. Sempre estando entre os cinco melhores países, enquanto no continente americano, o Brasil demonstra hegemonia, consagrando-se constantemente Campeão da Paracanoagem Sul-americana e Pan-americana.
Em 2015, outro fato histórico repercutiu e alterou o cenário da modalidade, foi quando ocorreu a alteração no sistema de Classificação Funcional, deixando de existir as categorias LTA, TA e A. Seguindo as Normas do IPC e sob o comando do "Chair" da Paracanoagem Internacional, as pesquisadoras Anna.Bjerkefors (SWE) e Johanna Rosen (SWE) e um grupo de Classificadores Internacionais Diego Doga (ITA), Julie Gray (GBR) e a brasileira Maria de Fátima Fernandes Vara reescreveram a
Classificação Funcional da Canoagem, toda baseada em evidências da Confederação Internacional de Canoagem (
https://www.canoeicf.com/classification)
Jogos Paralímpicos Rio 2016
E então chegou o esperado momento. Os Jogos Paralímpicos Rio 2016, quando o Brasil se mobilizou para, por meio do esporte ou paradesporto, demonstrar que o país pode alcançar patamares maiores que os já atingidos até então.
A Paracanoagem brasileira foi representada por cinco atletas: Caio Ribeiro de Carvalho, Igor Alex Tofalini, Luis Carlos Cardoso da Silva, Mari Christina Santilli, Debora Raiza Benevides.
Caio Ribeiro de Carvalho, após conquistas de medalhas nos Campeonatos Mundiais 2013 e 2015 na Canoa V1, teve que se readaptar e iniciar uma nova técnica, no caiaque. Este atleta, após a quarta colocação no Campeonato Mundial de Duisburg 2016 (competição que o levou para os Jogos Paralímpicos Rio 2016, sua casa), conquistou a medalha de bronze para o Brasil, levando todo o público que acompanhava a Paracanoagem na Lagoa Rodrigo de Freitas ao delírio.
Nos três anos que seguiram o ciclo olímpico de Tóquio 2020, o Brasil continuou fazendo história com medalhas nos Campeonatos Mundiais de 2017, 2018 e 2019, com os atletas Caio Ribeiro de Carvalho, Luis Carlos Cardoso da Silva e Igor Alex Tofalini, chegando então ao ano chave, a segunda edição dos Jogos Paralímpicos com a participação da Paracanoagem, agora com mais atletas e almejando ainda mais medalhas.
Infelizmente, havia uma pandemia que parou o mundo, a tão temida COVID-19, e adiou todos os eventos internacionais no ano de 2020, fazendo com que a edição dos Jogos Paralímpicos fosse adiada por 1 ano, bem como todos os demais eventos internacionais da modalidade.
Jogos Paralímpicos Tóquio 2020/21
Chegou então a segunda edição, agora sendo realizada no Japão, o Brasil levou Adriana Gomes de Azevedo, Caio Ribeiro de Carvalho, Debora Raiza Ribeiro Benevides, Fernando Rufino de Paulo, Giovane Vieira de Paula, Luis Carlos Cardoso da Silva e Mari Christina Santilli. Neste caso continuou a ser feita a história da Paracanoagem, agora com a conquista de 3 medalhas, sendo um prata para o Giovane de Paula na prova VL3, uma prata para o Luis da Silva na prova KL1 e um tão sonhado ouro para o Fernando Rufino na prova VL2.
Sequencialmente, continuou a hegemônia do Brasil do cenário internacional, trazendo diversas vezes título de campeão em edições de Campeonatos Sul-americanos e Pan-americanos como melhor equipe e seus melhores atletas. Para os anos de 2021 a 2024 a conquista de medalhas também continuou nos Campeonatos Mundiais, com os atletas Luis Carlos Cardoso da Silva, Debora Raiza Ribeiro Benevides, Fernando Rufino de Paulo, Igor Alex Tofalini, Mari Christina Santilli, Miqueias Elias Rodrigues e Carlos Glenndel Moreira.
Jogos Paralímpicos Paris 2024
A Paracanoagem Brasileira, desta vez nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, fechou em grande estilo e aumentando os resultados, conquistando 4 medalhas ao todo e entrando para a história. O destaque desta edição foi a dobradinha no pódio do VL2 masculino, com Fernando Rufino garantindo o ouro e Igor Tofalini levando a prata. As outras duas medalhas vieram com Luis Carlos Cardoso que conquistou a prata no KL1 200m e Miqueias Elias subindo ao pódio com o bronze no KL3 200m. Fechando assim a atual edição dos Jogos e abrindo um novo ciclo, com o nível da Paracanoagem elevadíssimo.
Atualmente a Paracanoagem tem um
Plano de Trabalho, que almeja chegar em 2028 com mais de 130 participantes em eventos nacionais e sendo o país referência no cenário internacional, mas agora a nível mundial.